
Mistério · Aventura completa · 29 cenas · 3 finais
Trem das Versões
Todos os passageiros lembram do acidente. Ninguém lembra do mesmo.
O mundo
No noturno que cruza o interior, cada passageiro guarda uma versão diferente do mesmo acidente. Na janela, o reflexo de um vagão abandonado acompanha o trem — um vagão que não aparece em nenhum registro. Uma jornalista embarca com o arquivo inteiro.
O Trem das Versões cruza o país todas as noites com o mesmo roteiro: partida, curva de Itaboraí, chegada. Mas o diário de bordo guardado na cabine de Dora, condutora há onze anos, tem três versões escritas da mesma noite de acidente — todas em sua própria letra, todas com a tinta ainda fresca, como se tivessem sido escritas minutos atrás. Na janela do último vagão, um segundo trem corre paralelo ao primeiro: um vagão que não consta em nenhuma escala, nenhum manifesto, nenhum registro da ferrovia. Passageiros embarcam carregando pedaços da mesma história — um bilhete de 1987, um arquivo de recortes de jornal — e cabe a Dora decidir que verdade o trem vai entregar no fim da linha.
Elenco
Lugares
Códice
- FatoO Trem das Versões faz o trajeto noturno entre a capital e o interior há mais de quarenta anos, sempre com a mesma escala na curva de Itaboraí.
- FatoO diário de bordo da cabine de Dora guarda três relatos distintos da noite do acidente de 1987, todos escritos com a mesma caligrafia e a mesma tinta que nunca seca de fato.
- RegraSempre que o trem passa pela curva de Itaboraí, por um instante a janela do último vagão reflete um segundo trem, idêntico, correndo em sentido oposto.
- FatoNenhum manifesto, nenhuma escala oficial e nenhum registro da companhia ferroviária menciona o vagão que aparece nesse reflexo.
- RegraO freio de emergência do último vagão só pode ser puxado uma vez por viagem; puxá-lo sem necessidade é falta grave, e ignorá-lo quando necessário pode ser fatal.
- FatoCaio embarca sempre com o mesmo bilhete datado de 1987, carimbado para uma viagem que, segundo os registros da empresa, nunca chegou ao destino.
- FatoHelena carrega havia anos um arquivo de recortes sobre o acidente de Itaboraí, tentando provar que a versão oficial — defeito mecânico, sem vítimas — esconde mortes nunca contabilizadas.
- RegraToda vez que alguém no trem conta a história do acidente, ela muda ligeiramente — um detalhe a mais, um nome a menos — como se a memória coletiva ainda estivesse sendo escrita.